sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11.11.11; há vinte e quatro anos ela espera pelas onze horas do dia de hoje…



Baixinha e toda miúda, com o invejável volume frontal que não me coube, sempre exibe o indefectível sorriso branco, o longo cabelo castanho e os olhos contornados de preto. A minha menina cresceu, e além de vistosa, fala e escreve bem, dirige com a segurança das mulheres da nossa família – que também se esqueceu de bater a minha porta! -, é corajosa, segura e determinada; mas incrivelmente manhosa, mandona e cheia de dúvidas, como toda boa escorpiana.

Apesar de sempre ter tirado notas bem acima da média, foi na faculdade que demonstrou todo o seu brilho e potencial. Que fase intensa, quanto crescimento; nunca a vi estudando tanto, sempre envolta por livros e textos, com o cenho franzido e o ar de cansaço, mas sem esmorecer ou se contentar com mediocridades. Perdeu a entoação birrenta e aprendeu a abordar temas com propriedade, não prepotência; passou da “mas a minha professora disse que não é assim” para alguém que consegue ouvir o outro. Profissional competente, segura do seu conhecimento, sabe que terá de estudar pelo resto da vida; sabe, também, que não sabe de nada, mas não pensa em usar esse mote para fugir do trabalho.


Sempre nos disseram que somos parecidas, mas nunca consegui enxergar isso; para mim ela sempre foi a ratinha, a magrinha, a mimadinha, a queridinha do papai. Quilos a menos, anos a mais e papéis de queridinha de um e abandonada pelo outro eventualmente trocados me fizeram ver como somos parecidas. Tenho que me desculpar com ela por tantos julgamentos, por todas as vezes que a caracterizei de forma superficial e leviana, esquecendo-me de que ela não nasceu minha irmã, mas uma pessoa que passou por poucas e boas, assim como eu, e também sente dúvidas, medo e inseguranças.
           
Dirijo-me, agora, diretamente a você, roedora querida; não apenas para cumprimentá-la, mas também para retomar um assunto inacabado. Fiquei imensamente comovida ao saber que quase fui escolhida como tema para a tese do seu curso de especialização, mas foi inevitável rir ao pensar que você, que sempre foi a rata, estava querendo me transformar em uma! Pois bem, cara Luci, não creio ser uma louca tão interessante, mas confesso que o Dr. Jekyll dentro desse Mr. Hide se sacudiu frente a idéia de ser estudado; portanto, publicamente, autorizo-lhe a usar minhas lembranças mais remotas e doloridas, assim como as mais felizes, e mesmo as aparentemente inofensivas, em futuro estudo maluco que queira realizar, desde que, frente a eventual movimentação monetária, por patrocínio ou publicação, a mesma seja partilhada irmanamente, como manda nosso parentesco. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Aglio


Corajoso e desinibido, atravessou o oceano e se apossou do balcão de onde vos escrevo; algo além do respeito e da admiração me fez aguardar alguns dias até tomar a liberdade de despi-lo... A doçura e o frescor de cada membro repudiavam o calor do fogo; sua estreia foi em uma maionese, feita para acompanhar batatas porco-espinho...


Grazie, zio, sei molto carino...

domingo, 28 de agosto de 2011

Bacalhau com batatas e salada de pimentão


Uma bela posta de bacalhau, dessalgada de um dia para o outro dentro da geladeira, foi para a assadeira junto com batatas bem cozidas; tudo regado com uma despreocupada quantidade de azeite e levado ao forno médio pré-aquecido,  até que sua superfície ficasse ligeiramente dourada, como aparece na foto. Aproveitando o calor do forno e contrariando os que torcem o nariz para essa combinação, em outra assadeira entraram azeitonas pretas filetadas, tomates e ervas frescas, fazendo companhia a dois pimentões, devidamente chamuscados, pelados e fatiados, e uma cebola inteira, sem casca, com apenas um corte em cruz na parte superior; tudo regado com um belo fio de azeite e colocado no forno pouco depois do peixe, para que mantivesse a umidade e a doçura.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Porque queremos seguir em frente

O que eu daria para te receber em casa vestida como uma cortesã, bem humorada e saliente; na mesa, um banquete, com direito a batatas em várias versões, queijos, pães, azeites, ervas, frutas, bolos e um incrível café, feito com grãos recém moídos. No ar, as notas do meu perfume se misturariam às daquele incenso que você adora, formando uma terceira fragrância, abaunilhada e com notas de jasmim, ao som de Orfeu da Conceição. Abriria aquela garrafa de vinho, que espera ansiosa no fundo da adega, e terminaria essa noite de orgias com um beijo que o fizesse dormir por muitas noites, apenas para poupá-lo da inevitável dor que está por vir frente às fatídicas datas "comemorativas" deste mês.

Outro beijo lhe daria, satisfeita da heroica travessura, quando soubesse que, entediado e sem sucesso, partiu o enorme vazio que suga suas forças e se alimenta dos nossos pequenos momentos de alegria, deixando como farelos um rastro de culpa, dor e arrependimento, pelo que não foi dito ou feito.

Cheguei a pensar em fingir que nada está acontecendo e continuar no papel de esposa modelo, alheia às agruras que rondam sua cozinha, ocupando-se, apenas, com o que fará para o jantar e o que estará - ou não - vestindo; mas não consigo... Assim como sei que ninguém, a não ser você mesmo, pode aprender a conviver com esse vampiro, não posso, nem tenho o direito de lhe poupar da sua vida, com as agruras que lhe cabem e o fazem ser quem é. Também eu tenho as minhas, como você bem sabe, e se hoje posso dizer que somos velhas companheiras, é porque chamei-as para tomar banho, andar no parque e cozinhar comigo; quando não, para se sentarem à mesa e jantarem conosco. Cheguei ao ponto de construir um altar para uma delas! Inoportunas e impertinentes, muitas vezes estiveram presente quando ninguém mais ousaria, mas essa convivência me fortaleceu e me fez olhar para elas com intimidade, não intimidação. Pouco a pouco, como quem faz graça, a maior e mais antiga delas não para de falar em tirar longas férias, com o ferino sorriso que mescla saudades e ciúmes, de quem sabe perder o trono, mas nunca a majestade, pois ela sempre fará parte de mim. O que ela "não sabe e nem sequer pressente" é que acabou mudando de lado; força, superação e serenidade vão tomando o lugar da dor, principalmente quando temos planos e pessoas pelas quais querer seguir em frente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Bolo de chocolate com limão cravo, água de rosas e morangos


Para transformar um tradicional bolo de chocolate, forte e úmido, daqueles que carimba os lábios e exibe o contorno dos dentes após receber uma mordida, basta levá-lo à geladeira por algumas horas, para que sua textura fofa ganhe ares de mousse, depois regá-lo, delicadamente, com algumas gotas de água-de-rosas, coroá-lo com ligeiras raspas de limão-cravo e ofertar-lhe morangos maduros.



Bolo de chocolate com limão cravo, água de rosas e morangos
do TK

- 1 2/3 xícara (233g) de farinha de trigo;
- 2/3 xícara (60g) de cacau em pó de qualidade, mais um pouco para polvilhar a assadeira;
- ¾ colher (chá) de bicarbonato de sódio;
- ½ colher (chá) de sal;
- 1 ½ xícaras (300g) de açúcar refinado;
- ¾ xícara (170g) de manteiga sem sal à temperatura ambiente;
- 2 ovos orgânicos grandes;
- 1 colher (chá) de extrato de baunilha;
- 1 xícara (240ml) de água quente;

- raspas de limão cravo orgânico;
- água de rosas e
- morangos orgânicos maduros.

1. Pré-aqueça o forno a 180°C. Unte com manteiga e cacau em pó uma forma de metal retangular (aproximadamente 22x32x5cm)*.
2. Em uma tigela média, peneire a farinha, o cacau em pó, o bicarbonato e o sal. Reserve.
3. Na tigela grande da batedeira, bata o açúcar e a manteiga até obter um creme claro e fofo. Junte os ovos, um a um, batendo bem a cada adição. Acrescente a baunilha e bata por mais alguns segundos. Diminua a velocidade para adicionar os ingredientes secos sem perder o volume da massa.
4. Adicione metade dos ingredientes secos, seguidos pela água quente e pelo restante dos ingredientes secos. Bata apenas até homogeneizar.
5. Despeje a massa na forma preparada e asse até que o bolo cresça, entre 25 e 30 minutos; para saber se está pronto, faça o teste do palito, se ao ser inserido no meio do bolo, sair limpo, é porque está assado.
6. Deixe esfriar na forma sobre uma grade. Por ser um bolo úmido, não dura mais de seis dias fora da geladeira; como sabia que não o comeríamos antes disso, coloquei-o na geladeira depois que esfriou, e sua textura fofa ganhou ares de mousse.

* a Patrícia usou uma forma de 20x30cm; assei-o em quatro forminhas de 17cm de diâmetro.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Salada quente de feijão, batata e tomate


Enquanto um tanto de água salgada tenta alcançar a fervura, descasque uma batata grande e corte-a em tirinhas; cozinhe-as na água fervente apenas por alguns minutos, para que fique al dente; cozida, mas resistente quando espetada. Tire as batatas da água, tampe a panela e ajuste a chama para a temperatura mínima.. Se for demorar para passar ao próximo passo, tenha em mãos uma tigela com água fria, para parar o cozimento das batatas. Enquanto isso, aqueça uma panela média, de fundo grosso; corte dois alhos em cubinhos e refogue-os em um fio de azeite, quando a panela já estiver quente; adicione um tomate cortado em cubos e mexa rapidamente, para não queimar. Coloque na panela dois punhados de feijões cozidos, também al dente; após alguns minutos, quando o feijão estiver quente, adicione as tirinhas de batata e mais dois tomates em cubinhos. Se precisar de algum líquido durante esse processo, use um pouco da água do cozimento da batata, mas apenas o necessário. Sacuda a panela, delicadamente, apenas para que os ingredientes se misturem; desligue o fogo e tampe-a. Coloque dois ramos de brócolis na água do cozimento da batata e tampe a panela. Aguarde cinco minutos e disponha a salada quente em dois pratos, acompanhada dos ramos de brócolis e temperada com um fio de azeite, lascas de um bom queijo amarelo curado, tirinhas de pimenta fresca, gotas de limão, folhas de tomilho e uma pitada de flor de sal, ou de um bom sal moído na hora. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Bolo de nozes e minha participação no INTER BLOGS

 


bruschette ai funghi
gran cacciucco
torta di noci


Esse foi o menu que montei para o Inter Blogs do Edu; confortável, intenso e rico em sabores, com patente influência italiana.

Além de torturador implacável - sim, pois ele manda um e-mail falando que já preparou a compota e que acompanha diariamente a sua evolução, e você não tem compota alguma no armário(!!!); depois manda uma foto do prato pronto, e por ai vai... - o Edu é absolutamente organizado e determinado; uma pessoa engraçada, educada, simples e genuína, da qual todos se sentem amigos de longa data. Vale a pena conferir os demais IB, assim como os posts sobre viagens, as dicas de restaurante, os encontros gastronômicos e os demais jantares que apronta, sempre na companhia da Dé e de outros comensais, que no dia do meu IB, literalmente, colocaram a mão na massa; gostei de ver!



Este foi o bolo de nozes que indiquei para o Edu finalizar o nosso jantar. Por não ter cobertura ou ser banhado com nenhuma calda, exibe notas muito harmônicas e delicadas, mas não se engane; como bem ressaltou Marcella Hazan, é extremamente concentrado e com alto poder de satisfação, perfeito para acompanhar uma xícara de chá, ao final da tarde, ou ser servido com uma bola de sorvete de gianduia, ou, ainda, uma colherada de creme de leite fresco ligeiramente batido com um pouco de açúcar, para fechar com glória um jantar, como fez o Edu.

Facilidade para alguns, maldição para outros; este bolo não só permite como pede uma preparação prévia pois, assim como o de avelãs, ficou muito mais saboroso depois de 48 horas, e agora só o sirvo após esse tempo mínimo de cura.


Bolo de nozes
do livro Fundamentos da Cozinha Clássica Italiana, da Marcella Hazan
rendimento: 8 pessoas

- 230g de nozes sem casca;
- 2/3 xícara de açúcar cristal - usei orgânico;
- 8 colheres (sopa) de manteiga sem sal, à temperatura ambiente;
- 1 ovo orgânico;
- 2 colheres (sopa) de rum - já fiz com whisky e ficou ótimo!
- raspas da casca de um limão orgânico;
- 1 1/2 colher (chá) de fermento químico em pó e
- 1 xícara de farinha de trigo - usei orgânica.

1. Preaqueça o forno a 180ºC (a receita pedia a 165ºC). Espalhe as nozes sobre uma assadeira grande e torre-as até que comecem a exalar seu delicioso aroma, e que, ao serem mordidas, tenham um sabor ainda mais pujante.
2. Mantenha o forno aceso e transfira as nozes para um pilão grande junto com uma colher (sopa) de açúcar, e soque até que elas fiquem bem reduzidas, sem a pretensão de que se transformem em uma farinha. A autora indica o uso de processador (função "pulsar"), mas eu prefiro fazer à mão.
3. Separe uma colher (sopa) de manteiga para untar a forma, e coloque as sete restantes junto com o açúcar, na batedeira, e bata até adquirir uma consistência cremosa; aqui também a autora indica o uso do processador. Adicione o ovo, o rum, as raspas de limão e bata até que a massa fique homogênea.
4. Tire a tigela da batedeira, ou transfira a massa do processador para uma igela grande, se estiver usando-o, e acrescente as nozes, incorporando-as com uma espátula. Passe a farinha e o fermento por uma peneira, e vá incorporando-o, aos poucos, até obter uma massa uniforme e compacta.
5. Unte uma forma de aro removível de aproximadamente 20 cm de diâmetro, com a colher restante de manteiga e um pouco de farinha de trigo; vire a forma sobre a pia e bata levemente, para que saia o excesso de farinha. Coloque a massa e nivele-a com uma espátula.
6. Leve a assadeira à grade superior do forno; e asse-o por aproximadamente 45 minutos, ou até que, ao ser perfurado no centro, com um palito, este saia limpo.
7. Retire o bolo do forno e coloque a forma sobre uma grade. Depois que esfriar completamente, armazene-o bem fechado, por, no mínimo, dois dias, para que seu sabor fique mais potente, apesar de achar que o clímax se dá após uma semana, pelo menos nos dias mais frios. A autora, por sua vez,  indica que se destrave o aro quando o bolo sair do forno, mas que só se desenforme quando esfriar um pouco mais; ademais, indica que seja servido, no mínimo, depois de quatro horas da sua preparação, para que o sabor esteja apurado.
8. Para servir, polvilhe açúcar de confeiteiro, que confere um toque pontual de açúcar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Pamonha de forno e Pão integral recheado para a festa junina do sítio


A desculpa da festa junina no sítio foi perfeita para preparar essa pamonha de forno; em casa não tem graça porque o Ebraim abomina TODOS os doces a base de milho, enquanto eu sou absolutamente viciada em pamonha, curau e sorvete de milho, sem falar do bolo de fubá com queijo curado, do qual ele não pode nem sentir o cheiro...

Enquanto assava, o aroma tomou conta da casa e o resultado não foi nada menos do que eu esperava; provei-a quente, recém saída do forno, e sua textura ainda esperava para se firmar completamente, mas o sabor era genuíno, e os pedacinhos de milho, resultantes da desculpa esfarrapada de "falta de tempo para bater mais", foram providenciais!

Para acompanhar, fiz esse pão recheado; dobrei a receita e preparei-o na sexta para servi-lo no sábado. Um argentino muito simpático, amigo do meu avô, que costumava pegar carona no seu charmoso packard, comeu duas fatias enormes, uma após a outra!


PAMONHA DE FORNO
da Lu Beterson

- 4 xícaras (chá) de milho verde orgânico fresco - cada espiga corresponde, aproximadamente, a uma xícara, mas tenha à mão uma espiga extra, por precaução;
- 1 ½ xícara (chá) de açúcar cristal orgânico;
- 2 xícara (chá) de leite integral orgânico;
- 2 ovos orgânicos - usei grandes;
- 4 colher (sopa) de maisena;
- 1 colher (sopa) de fermento químico;
- 50g de manteiga sem sal e
- 1 pitada de sal marinho.

1. Pré-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma retangular com manteiga. Usei uma de 34x22x6cm e minha pamonha ficou baixinha, como se vê na foto; se quiser uma mais alta, use uma assadeira com dimensões menores.
2. Bata todos os ingredientes no liquidificador por alguns minutos, até formar uma massa. Quanto mais tempo bater, mais lisa será a pamonha, pois terá menos pedacinhos de milho; não bati muito a minha e adorei o visu mais roots.
3. Despeje a massa na forma e leve-a ao forno por aproximadamente 45 minutos, ou até que a superfície esteja levemente dourada, e que um palito, ao ser inserido no meio da pamonha, saia limpo. Precisei de alguns minutos mais.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Chá verde para quem diz que não gosta, e uma técnica bárbara para mantê-lo aquecido até a última gota...


Se você se identificou com o título deste post, não se sinta mal, pois eu também já fiz parte do time dos que torcem o nariz ao ouvir falar sobre “chá verde”. Apesar de conviver com um consumidor frequente de chá, só comecei a apreciá-lo depois que parei de ser teimosa, estudei um pouco sobre o tema e comecei a prepará-lo com o cuidado que requer e merece, sob os olhos atentos do marido metódico, e agora não passo um dia sem, principalmente no inverno!

Antes de mais nada, e como muito tem se falado sobre o tema nas mais diversas mídias, convém relembrar a diferença entre chá e infusão; chás só podem ser assim denominados se preparados a partir das folhas da Camellia Sinensis, planta que dá origem a vários chás, que variam conforme o cultivo, a coleta, o preparo e o acondicionamento das folhas, mas que podem ser esquematizados em quatro categorias: “ chá branco (não fermentado, produzido das mais tenras folhas, mais raro e caro),  chá verde (levemente fermentado), chá oolong (com fermentação mediana, basicamente ficando entre o chá verde e o preto, mas com características degustativas geralmente mais a cerca do chá verde), e  chá preto (bem fermentado, e forte)”. Portanto, todas as demais bebidas advindas da imersão de outras folhas, flores ou frutas em água quente são denominadas de infusões, como as de camomila e erva cidreira.

Temperatura da água, quantidade e qualidade do chá, petrechos e cronômetro; muitos são os requisitos para o sucesso, mas se você se organizar previamente em pouco tempo estará preparando seus chás em um piscar de olhos. Prepare o mise en place com a chaleira em que ferverá a água, o bule em que fará a infusão, a peneira de inox (ou infusor), o chá e a água devidamente medidos, e um cronômetro, ou um relógio com ponteiro dos segundos. 

Já usamos o infusor, mas hoje não abrimos mão da santa peneira funda; ambos podem ser usados, desde que de inox, mas a peneira é tão prática que depois da sua chegada o infusor foi relegado à preparação de infusões.

Gosto de mesclar o chá verde ao genmaicha, uma mistura de chá verde com grãos de arroz marrom torrado. Além das pequeninas pipocas oriundas da torra de alguns grãos, confere ao chá um sabor leve e adocicado, com um perfume singular, ideal para quem quer começar a prepará-lo, mas ainda está receoso em sentir um gosto terrivelmente amargo e ficar com dor no estômago, o que só ocorrerá se ele for mal feito; garanto!

Quanto à qualidade do chá, gosto de fazer uma mistura de 1 colher (sopa) de chá verde e 1 ½ colher (sopa) de genmaicha; ambos japoneses, comprados em uma das lojas da Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade. Sim, tem de ser japonês, e ainda assim, dentre os conterrâneos, há alguma variedade; os mais caros são os mais nobres, mas você não precisa comprá-los de cara, o mediano, ou mesmo o mais barato estão de bom tamanho. Depois que estiver preparando chás deliciosos irá querer comprar um mais caro para saber qual a diferença, e ai sim estará pronto para apreciá-lo, pois, de fato, são superiores, e incomparáveis aos nacionais.

Os dados variam imensamente, mas pode-se utilizar a temperatura de 80º para fazer a infusão; pela mais sincera falta de coragem de usar o termômetro a cada preparação, coloco 500ml de água mineral para ferver, e na iminência do ápice da fervura; ou seja, antes que se possa ver a profusão de bolhas se propagarem aos montes, retiro a tampa e adiciono 125ml de água mineral à temperatura ambiente; desligo o fogo, devolvo a tampa ao seu lugar e aguardo 20 segundos. Após, transfiro o líquido da chaleira ao bule em que será servido, no qual já está posicionada a peneira funda, que permite que o chá fique em infusão e seja retirado de lá em um segundo. Peneira com chá dentro do bule, água na temperatura correta, bule tampado e mais 30 segundos; retira-se a peneira, tampa-se o bule e serve-se o chá. Se quiser mantê-lo aquecido por bastante tempo, embale-o em uma toalha e mantenha-o sobre uma tábua de madeira, que isolam a chaleira e ajudam a manter o chá na temperatura correta.

Como existem muitas variáveis, desde o chá até o gosto do freguês, acho que cada um tem de tentar chegar no seu blend perfeito, variando o tipo e a quantidade do chá, assim como o seu tempo de preparo. Carla Sauereseg, proprietária da Loja do Chá, traça alguns parâmetros, recomendando que se faça uma  média entre as quantidades e os tempos recomendados na embalagem do produto; para o verde e o branco, a proporção é entre 10 g e 13 g de chá por litro de água, e a infusão pode durar de um a três minutos; o preto e o oolong ficam de dois a cinco minutos em infusão e são usados na proporção de 10 g a 14 g por litro. 


 
 

OBS: o bolo da foto é este, de coco e nozes.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Massa com gorgonzola, sálvia e tomate



Oitenta gramas de massa entre dez dedos que a abraçam; as mãos giram em sentidos opostos e em seguida se abrem sobre uma enorme panela com água salgada, na mais potente fervura... Apenas alguns minutos são suficientes, mas antes que fique pronta, a pesada frigideira entra em cena, sobre uma chama branda, que deve aprontá-la para receber um naco de manteiga e outro de gorgonzola, seguidos de uma concha da água salgada que cozinha a massa, e por falar nela, aparece o pegador; pegador na massa, massa na frigideira, frigideira que gira sobre o prato, prato sobre a mesa. Pimenta do reino, sálvia, tomates cereja, vinho e boa companhia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pão integral recheado com escarola, tomate e queijo da Serra da Canastra


Ainda não me decidi se gostei mais dele quando saiu do forno, com a umidade do tomate e o queijo derretido; frio, todo compacto e irresistível, ou passado na chapa quente, como o da foto...

A receita base do pão integral é a de sempre; entretanto, quando for moldá-lo, faça a dobradura tipo "envelope, conforme indicada na receita, e volte a abrir a massa, agora em formato de um retângulo com dimensões de 60 por 30 cm. Espalhe sobre ele a escarola refogada (já fria!), azeitonas pretas em filetes, tomates sem as sementes, um belo naco de queijo da Serra da Canastra, ralado no ralo grosso, pimenta do reino moída e um belo fio de azeite. Coloquei alecrim picado, mas como ele não estava tão fresco, conferiu um certo amargor; ai vai por sua conta e risco, mas da próxima vez irei prepará-lo sem. Enrolei-o no sentido do comprimento (diferentemente do pão de forma, no sentido da largura), apertando-o para que o recheio ficasse no lugar. Após, torci a massa para obter o formato de uma rosca, unindo as pontas, coloquei-a para crescer em uma assadeira redonda de 26,5x6cm e, depois de dobrar de tamanho, exatamente antes de entrar no forno pré-aquecido, fiz alguns cortes na sua superfície, para que um pouco do queijo saísse e dourasse, dentro do forno. Durante os dez primeiros minutos, asse-o a 250ºc; os vinte restantes, a 230ºC.

Preparei a escarola com um dia de antecedência; esquentei uma frigideira grande, adicionei um belo fio de azeite e refoguei uma mistura feita com alguns dentes de alho e filés de alice, cortados juntos até que adquiram uma textura de pasta, com um perfume irresistível. Quando o alho começou a dourar, adicionei dois pequenos pés de escarola orgânica, cortada em fatias, e mexi até que perdesse seu volume e adquirisse uma coloração verde escura.
 

Bolo de iogurte, morango e banana, feito com manteiga "queimada"


Fora as insinuantes fatias de morango, o fato de levar iogurte e manteiga "queimada" como ingredientes foi crucial para a decisão de prepará-lo, e fiz muito bem ao preterir tantos outros bolos que chamavam a minha atenção! O iogurte trouxe umidade; a manteiga "queimada" unida ao açúcar mascavo, um delicioso sabor acastanhado e uma textura bastante densa, que somada às frutas fez com que um despretensioso bolo de banana nos proporcionasse uma experiência diferente. Não posso me esquecer dos surpreendentes cubinhos de morango; estrelinhas cítricas que explodem na boca e conferem ares de bolo de café da manhã a essa brilhante preciosidade.

Para quem gostar da manteiga "queimada", experimente este da Patrícia; é surreal!



Bolo de iogurte, morango e banana

- 170g manteiga sem sal;

- 2 xícaras de farinha de trigo- usei orgânica;

- ¾ xícara de açúcar mascavo - usei orgânico;
- 1 colher (chá) de fermento químico;

- ½ colher (chá) de sal marinho;

- ¾ colher (chá) de canela em pó;

- 2 ovos orgânicos grandes;

- 1 colher (chá) de extrato de baunilha - usei orgânico;

- ¼ xícara de iogurte - usei este;

- 1 ¼ xícara de bananas maduras amassadas, aproximadamente 3 médias - usei orgânicas;

- ½ xícara de morangos em cubinhos, mais 1 morango para a decoração, cortado em delicadas fatias - usei orgânicos;


1. Pré-aqueça o forno à 180ºC e posicione a sua grade no meio.
2. Unte com manteiga e farinha de trigo uma forma de bolo inglês grande, ou duas de 17,5x7,5x5,5 cm, como eu fiz.
3. Coloque a manteiga em uma panelinha* e leve-a ao fogo médio-alto até que derreta e fique bem dourada. Reserve-a para que esfrie.
4. Em uma tigela grande, peneire e misture a farinha, o açúcar, o fermento, o sal e a canela.
5. Em uma tigela média, misture os ovos, a baunilha e o iogurte; adicione as bananas amassadas, misture, e por fim adicione a manteiga derretida fria. Misture tudo.
6. Adicione aos poucos os ingredientes secos aos úmidos e misture até adquirir uma massa uniforme.
7. Adicione os morangos em cubinhos à massa, mas tente não mexer muito para não perder o volume.
8. Passe a massa para a forma untada e decore com as fatias de morango. Asse o bolo por 50 minutos, aproximadamente, ou até que um palito, ao ser inserido no meio do bolo, saia limpo.
9. Deixe o bolo resfriar por 15 minutos antes de desenformá-lo.

* use uma panelinha de inox ou alumínio, nunca de antiaderente, do contrário não conseguirá visualizar a mudança de coloração da manteiga e pode acabar com ela literalmente queimada!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pão integral com azeitonas pretas e alecrim para um sanduíche delicioso


Usei a mesma massa de sempre, mas pouco antes de enrolá-la como um rocambole, distribui, uniformemente,  meia xícara de azeitonas pretas cortadas e aproximadamente uma e meia colher de sopa de alecrim picado.

Já havia avisado que só seria definitivo até o dia seguinte, então não se espantem ao lerem que agora prefiro aquecer o forno a 250ºC e mantê-lo a essa temperatura até os primeiros 10 minutos em que o pão estiver no forno; depois, basta reduzi-la para 230ºC durante os próximos 20 minutos, ou até que o pão esteja dourado e emita um som oco ao se bater o nó dos dedos contra a sua base.

Além disso, descobri que se esticar um pouco mais a massa antes de dobrá-la como um envelope, e também depois dessa etapa, ou seja, se deixar o retângulo com dimensões maiores, você conseguirá várias "camadas", o que deixará o pão ainda mais macio. Outra dica importante, que já disse no outro post, mas vale repetir, é apertar bem o "rocambole" de massa!



Para o sanduba, apenas torrei os dois lados de cada fatia de pão em uma frigideira quente e dispus, sobre elas, fatias de queijo de cabra, tomates cereja cortados ao meio e folhas de radicchio; azeite grego e pimenta do reino moída tornam esse sanduíche ainda mais divino, e combinam perfeitamente com a robustez do pão integral e a potência das azeitonas pretas. 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Irmão é tudo igual? Só muda de endereço???


Irmão querido, 

quando você ler isso, daqui a alguns anos, saiba que fiz esse brownie para que seu paladar crie um paradigma; harmonizei, cuidadosamente, gramas de chocolate ao leite com o mais puro cacau belga, alcançando um resultado equilibrado; não totalmente austero, pois você ainda é um menino, tampouco doce e superficial.

Nos imagino em um inverno futuro, não tão distante, lendo esse bilhete e rindo muito, ao lado da Luciana – chame-a de Lucia! – e sob os olhos orgulhosos e marejados do nosso velho pai.

Beijos da sua irmã mais velha,
Sabrina.

  

Tenho um irmão 25 anos mais novo do que eu; sou 25 anos mais velha do que meu irmão. Parece ridículo, mas a primeira assertiva me faz sentir adulta e corresponsável na sua criação; a segunda, por sua vez, me deprime e me deixa cheia de dúvidas... Serei eu uma boa irmã, nessas condições? Ou pior; serei uma irmã???

Até exatos três anos atrás era apenas a Luciana e eu, filhas dos mesmos pais e com apenas quatro anos de diferença. Ser irmã mais velha, nessas condições sempre me pareceu o ideal; brigávamos e brincávamos ainda mais, mas eu sempre mantinha um forte sentimento de responsabilidade, assim como a necessidade de ser um bom exemplo, e o exagerado carinho protetor, que por tantas vezes confundiu o papel de irmã com o de mãe.

Ser irmã da Luciana, hoje, com meus 27 anos, não me parece nenhum desafio, pelo contrário; com o passar do tempo estamos cada vez mais próximas. As conversas pularam de Barbies para temas muito mais profundos ou picantes, apesar de ainda acontecerem no quarto ou no banheiro, enquanto uma se veste e dá opinião sobre a roupa que será usada, ou a outra toma banho e a uma fica sentada sobre o tampo da privada, abraçando as pernas e apoiando a lateral do rosto sobre o joelho. Ela sabe que eu a amo e eu sei que ela me ama; uma sabe que pode contar com a outra; fazemos planos para o futuro e imaginamos nossos filhos brincando juntos.

O posto de irmã nunca me gerou questionamentos como os de agora; apesar de não ter sido fácil, essa relação profunda decorreu naturalmente, não apenas pela obvia genética em comum, mas pela convivência diária, imposta à maioria dos irmãos. Por isso me questiono se é possível ter 25 anos a mais do que uma pessoa e manter com ela uma relação fraternal baseada, inicialmente, apenas no fato de termos o mesmo genitor? Seja pelo patente fenótipo ou pelo forte gênio espanhol, carregamos um pedacinho do nosso pai, dos nossos avós, e isso nunca poderá ser apagado; mas será possível desenvolver uma relação fraternal como a que conheço como tal? Tudo bem se for diferente? E se eu gostar mais de um do que do outro? Será que a Luciana terá ciúmes da minha relação com ele, ou vice e versa? Ele sentirá inveja dos anos a mais que passei com o nosso pai e do fato de nunca ter conhecido nossos amorosos avós; ou eu nunca superarei a sua infância com um pai muito mais calmo e presente?

Quando se tem apenas um irmão é reconfortante pensar que o pai gosta mais de um e a mãe gosta mais do outro, mas e agora? Por mais que se tente evoluir e refletir sobre amizade e afinidade, o maldito amor possessivo, aquele suspiro, aquela emoção com direito a nó na garganta que se sente quando os seus olhos se encontram com os da  pessoa que você ama tanto, que quer apenas voltar a ser uma menina para poder correr e ser abraçada, naqueles instantes em que nada mais importa; esse não é fácil de ser administrado.

Provavelmente por ter tantas coisas mal resolvidas eu me sinta tão pequena ao tratar desse assunto; parece ridículo uma mulher casada olhar para uma criança de três anos e sentir ciúmes porque ela está no colo do SEU pai, mas quando vejo a outra irmã na mesma situação, aquela rata, ex-dentuça, com a qual convivo há 23 anos, e da qual também sinto ciúmes, fico aliviada, pois sei que tudo está caminhando na mais perfeita normalidade de uma família.

No final das contas, assim como terei de aprender a ser irmã de um menino muitos anos mais novo do que eu, ele também terá de entender tantas coisas estranhas, mas talvez com o tempo consigamos formar um trio engraçado. Talvez ele me chame de velha e eu lhe dê um "pedala" ou um beliscão; pode ser que meu telefone toque de madrugada e eu tenha de ir ao hospital resgatar alguém que brigou na balada por causa de uma menina, mas que não quer ligar para casa àquela hora e contar que levou três pontos na sobrancelha ou que esta com um olho roxo. Pode ser que ele ocupe a função de paradigma adolescente para seus sobrinhos. Pode ser...

Apesar de tantas indagações, sempre que estou com o Pedro sinto um sentimento interessante; me aproximo dele como um adulto que não está acostumado com crianças, observo sua incrível evolução física, o acho bonito, quero passar a mão no seu brilhante cabelo castanho claro, saber sobre sua evolução na escola e observá-lo brincar no seu lindo quarto, mas, de repente, quando ele me dá um tapa e eu o repreendo com o dedo em riste, na tentativa de educá-lo; ou quando ele não responde a algo que pergunto e em uma atitude totalmente madura faço careta e lhe mostro a língua como uma resposta natural e absolutamente instintiva, relaxo, suspiro e concluo que, de fato, somos irmãos.

Melhor? Pior? Apenas diferente... 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quiche semi-integral de gorgonzola e pecan


A farinha integral combina perfeitamente com a austeridade das nozes e produz uma quiche séria, firme e com sabores fortes. Se possível, prepare-a um dia antes e sirva-a fria, ou à temperatura ambiente, acompanhada tomatinhos cereja.



Preparei esta receita básica substituindo metade da farinha refinada pela integral, e adicionando creme de leite fresco no lugar do iogurte. Forno preaquecido, massa e cobertura preparadas, forrei o fundo de algumas formas com a massa  e a cobri generosamente com gorgonzola; moí um tanto considerável de pimenta do reino e noz moscada, cobri tudo com a mistura de ovos, creme de leite fresco, sal e azeite, e salpiquei nozes torradas e grosseiramente quebradas a mão. Forno até dourar, como especificado no post acima.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bolo de Avelãs com perfume de laranja para o almoço do dia das mães, e para todos aqueles que são jovens, ainda...

[...] quantos anos o senhor tem? Todos!

Como dizia no último post, o preparo do sorvete de gianduia rendeu um punhado de avelãs moídas e algumas claras; era semana do dia das mães e não tive dúvidas de que as usaria, mas como? Lembrei-me de um bolo de amêndoas, da Marcella Hazan, que levava apenas claras; duas claras a mais do que a quantidade excedente, é verdade, o que me obrigou a almoçar duas renegadas gemas, sobre uma fatia de pão integral, não duras, nem cruas, mas perfeitamente trépidas, para que apenas um toque do pão as rompesse... É duro, eu sei, mas o que eu não faço pela minha mãe e pela minha sogra; e por falar em sogra, aproveito para cumprimentá-la por tantas conquistas e boa vontade, e também para lembrá-la de que, como já dizia o grande poeta, só é velho quem perde a pureza ou deixa de aprender...*


Foi um dos bolos mais fáceis de preparar, se não o mais; assou lindamente e desgrudou-se das laterais da forma de uma forma incrível. Ficaria perfeito sobre um lindo prato de bolos, no centro da mesa, acompanhado de chás e boas amigas, mas não foi o que aconteceu; resolvi servi-lo como sobremesa, acompanhado do sorvete de gianduia, e tenho de ser sincera ao confessar que não foi a ideia mais acertada, provavelmente graças a sua textura, que brigava com a do sorvete. Isso não significa que o trabalho foi em vão; todos comeram, adoraram e se divertiram, e o bolo, enorme como era, sobrou e foi sendo dilapidado aos poucos, no decorrer da semana. O tempo - e uma temporada na geladeira - fez com que ele perdesse um pouco de umidade e evoluísse incrivelmente. A vida é muito engraçada; depois de tantos dias acompanhando minhas xícaras de café, o abrir e fechar da porta da geladeira, procurando algo que não mais lá estava, comprovou o quanto seu fim foi lamentado... Da próxima vez farei o bolo quatro dias antes de servi-lo, e terei, então, minha mesa de conto de fadas!


Bolo de Avelãs com perfume de Laranja
adaptado do bolo vêneto de amêndoas, publicado no delicioso Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica, de Marcella Razan


- 300g (aproximadamente 2 xícaras) de avelãs - a receita original pedia amêndoas com pele; expliquei aqui como torrar e tirar a pele das avelãs;
- 1 1/3 xícara de açúcar demerara orgânico;
- 8 claras, de ovos orgânicos;
- 1/2 colher (chá) de sal;
- raspas da casca de 1 laranja orgânica - a receita original pedia limão;
- 6 colheres (sopa) de farinha de trigo orgânica e
- manteiga para untar a forma.

1. Pre-aqueça o forno a 180ºC e unte uma forma redonda, de aro removível, com aproximadamente 20 cm de diâmetro.
2. Usando a função "pulsar", processe as avelãs e o açúcar até obter um resultado uniforme; pulei essa etapa porque as minhas já estavam moídas.
3. Bata as claras e o sal até obter o ponto de neve firme, mas não muito dura.
4. Adicione às claras as avelãs moídas e as raspas de laranja, um pouco de cada vez, fazendo esse processo em várias etapas, para não comprometer o volume das claras batidas.
5. Com o auxílio de uma peneira, adicione a farinha, aos poucos, mexendo delicadamente.
6. Coloque a massa do bolo na forma e nivele-a bem. Asse o bolo na grade do meio, por aproximadamente uma hora; para saber o ponto exato, faça o teste do palito - espete-o no centro do bolo; se o palito sair limpo é porque o bolo está assado. O meu assou em 50 minutos.
7. Desenforme o bolo quando ainda morno, mas sirva-o à temperatura ambiente. Marcella ressalta que, se bem acondicionado, o bolo fica ótimo por muito tempo, o que pudemos comprovar in loco


* não sou a única a me lembrar dos churros, do sanduíche de presunto, do refresco de laranja, que parece de limão, mas tem gosto de tamarindo...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sorvete de Gianduia e Fernando Teixeira de Andrade

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.


Ao me deparar com o trecho acima, postado no facebook, senti uma imensa felicidade, pois além da empatia tamanha - tanto que, há anos, tomei a liberdade de transcrevê-lo na minha descrição pessoal, aqui no blog -,  tenho um orgulho imenso de ter sido aluna desse grande homem. Não apenas inteligente, gentil e cativante, mas humilde, cuja meta era passar todo o conhecimento, sem resguardos ou meia palavras. Uma pessoa tão simgular que cogitar o famigerado amor platônico seria algo barato, pois, para nós, alunos e "convivas", ele era tão singular que não se encaixava em definições prévias.

Sentia prazer ao falar e olhar para o rosto dos alunos, com os olhos brilhando ao ouvi-lo contar sobre Bandeira, ou suspirando profundamente ao ouvi-lo declamar Camões, o que fazia como ninguém. Uma grande pessoa, sem sombra de dúvidas. Fernando Teixeira de Andrade, a autoria dessas palavras não pode levianamente ser atribuída a Fernando Pessoa, autor de inúmeros escritos, mas não deste, deste não!

A quem escreveu o trecho e indicou a autoria errada, não se sinta mal por isso, muito pelo contrário, é mais fácil encontrar fontes com a autoria errada do que o inverso, mas lhe garanto que este não faz parte de nenhuma das publicações de Pessoa. Agradeço, inclusive, pela oportunidade de reler, mais uma vez, as palavras dentro do todo.

Saudades, querido mestre, saudades...


O medo: o maior gigante da alma
Fernando Teixeira  Andrade

Para quem tem medo, e a nada se atreve, tudo é ousado e perigoso. É o medo que esteriliza nossos abraços e cancela nossos afetos; que proíbe nossos beijos e nos coloca sempre do lado de cá do muro. Esse medo que se enraíza no coração do homem impede-o de ver o mundo que se descortina para além do muro, como se o novo fosse sempre uma cilada, e o desconhecido tivesse sempre uma armadilha a ameaçar nossa ilusão de segurança e certeza.

O medo, já dizia Mira Y Lopes, é o grande gigante da alma, é a mais forte e mais atávica das nossas emoções. Somos educados para o medo, para o não-ousar e, no entanto, os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões, e somente a coragem lúdica pode trazer o novo, e a paisagem vasta que se descortina além dos muros que erguemos dentro e fora de nós mesmos.

E se Cristo não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado, diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse se acovardado diante das profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse se atrevido a distorcer as formas e a olhar como quem tivesse mil olhos? "A mente apavora o que não é mesmo velho", canta o poeta, expressando o choque do novo, o estranhamento do desconhecido.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.


Voltando às panelas, esse sorvete é surpreendente; com sabor forte, que evolui intensamente com o passar dos dias, não é difícil de ser preparado, apesar de um pouquinho trabalhoso pela quantidade de etapas. Para os que não querem seguir todos os processos, tentem, ao menos, preparar o leite de avelãs; imaginem só, nesse friozinho, fazer um capuccino ou um chocolate quente com esse leite naturalmente aromatizado; indescritível...

Fora o sabor, esse sorvete possui uma textura divina, mas é importante armazená-lo em um recipiente hermético, para evitar a formação de cristais de gelo e o comprometimento do sabor. Guardado desta forma, se conserva muito tempo, e só melhora a cada prova.

Como essa receita gera “sobras” de claras e avelãs moídas, preparei um bolo de avelãs, inspirado em um bolo de amêndoas da região do Vêneto, na Itália, e servi os dois juntos, no almoço do dia das mães. O próximo post será sobre o bolo, mas vale à pena conferir o pão de avelãs, feito pela Ana, concomitantemente ao preparo do sorvete. 



SORVETE DE GIANDUIA

tempo de preparo: 1 hora + 4 horas de geladeira + 2 horas de freezer
rendimento: 1 litro, aproximadamente

- 1 xícara de avelãs inteiras;
- 3 xícaras de leite integral orgânico, ou mais, se necessário;
- ¼ xícara de creme de leite fresco;
- 60g de chocolate amargo – usei 70%;
- ¾ xícara de açúcar cristal orgânico – usei o caseiramente aromatizado com favas de baunilha;
- 3 gemas de ovos orgânicos grandes;
- ½ colher (chá) de essência de baunilha orgânica;
- ¼ colher (chá) de sal marinho.

1. Toste as avelãs no forno a 180ºC, ou numa frigideira larga, até que fiquem aromáticas, tomando cuidado para não queimarem. Se estiver em dúvida, experimente uma e sinta se já está torrada ou se ainda guarda um fundo “verde”. Quando estiverem no ponto, transfira-as para um pano de prato, dobrando suas pontas sobre as castanhas e esfregando-as para que as cascas mais duras se soltem. Separe as avelãs das cascas e transfira-as para uma panela média.

2. Nesta panela, junte o leite às avelãs e acenda o fogo à temperatura média, até que levante fervura. Após, abaixe o fogo e cozinhe por 5 minutos, mexendo. Desligue o fogo, tampe a panela e deixe o leite com avelãs em infusão por 20 minutos.

3. Posicione uma peneira forrada com um pano tipo gaze, ou um pano de prato fininho, que você só use para trabalhar com comida, sobre uma tigela grande. Bata o leite e as avelãs em um liquidificador, usando, inicialmente, a função “pulsar”, pois o líquido quente tende a explodir para fora do copo; despeje a mistura sobre o pano e deixe-o escorrer naturalmente. Alguns minutos depois, quando o líquido sobre o pano não estiver tão quente, junte as pontas do pano e esprema-o, para conseguir a maior quantidade de leite de avelãs possível. A receita pede 2 ½ xícaras desse leite; portanto, se você não conseguir essa quantidade, complete-a com creme de leite ou leite – usei leite.

4. Aqueça o leite de avelãs numa panela, junto com o creme de leite, e remova-o do gogo quando a mistura ameaçar ferver; adicione o chocolate picado e mexa bem com um batedor de arame (“fuê”), até que fique homogêneo.

5. Em outra tigela, bata as gemas e o açúcar até conseguir um creme pálido, mas ainda granuloso; adicione a esse creme ¼ da mistura de chocolate, e misture bem. Despeje essa mistura na panela, em que está o resto do creme de chocolate, misture por alguns instantes e acenda o fogo à temperatura mínima, mexendo constantemente, até adquirir a consistência de um milk-shake derretido. Não espere começar a ferver; assim que sentir grandes bufadas de vapor subindo na sua mão, está pronto. 

6. Por fim, passe o creme por uma peneira fina, junte a baunilha e o sal, e leve-o à geladeira, em um recipiente semi-tampado, por 4 horas, ou até que fique bem gelado; preferencialmente até o dia seguinte. Leve-o à sorveteira e siga as instruções do fabricante. Para quem não tem sorveteira, coloque o creme gelado no freezer por duas horas; após, retire e bata-o com um batedor de arame (“fuê”). Volte ao freezer por meia hora e repita esse processo mais 4 vezes,  então deixe o sorvete gelar por 1 ou 2 horas antes de servir. A massa é muito cremosa e fica ótima mesmo sem a sorveteira, que é muito prática, de qualquer forma. Não precisa ser tirado do freezer com antecedência se o mantiver à temperatura mínima.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Limpando o prato no Edifício Itália

Apesar de épocas um tanto turbulentas, com o passar dos anos temos nos aproximado muito e descobrimos o prazer de sair para andar a pé no centro da cidade, reparar na arquitetura, nos tipos, almoçar em um lugar simples e finalizar tudo com um bom café... E assim foi o nosso almoço, em um prédio tão tradicional, que faz você viajar ao se deparar com elevadores assassinos, lustres e quadros antigos, veludo vermelho e madeira para todos os lados, tudo isso com vista para a tradicional avenida Ipiranga.

Ao que parece, os almoços com meu pai estão fadados a serem memoráveis; seja por sua raridade ou por serem antecedidos de eventos turbulentos relacionados ao trabalho, o resultado é inesquecível; uma daquelas ocasiões a ser lembrada por anos a fio, que assim não seria se fosse combinada com dias de antecedência e anotada nas respectivas agendas.

Fomos almoçar no restaurante do Circolo Italiano, inaugurado em 1977 e desde então instalado no primeiro andar do Edifício Itália, na ovacionada av. Ipiranga, ao lado do famoso Copan.

Em questão de minutos o restaurante ficou cheio, mas assim que chegamos, por volta do meio dia, uma figura emblemática me cativou; um senhor corpulento, com ares de habitué, não se deu ao trabalho de reparar na nossa chegada; compenetrado, declinava toda a sua atenção aos pratos, trazidos em seqüência, como manda a tradição. À vontade, usava o guardanapo na gola, como um bom e velho bavaglino, e em poucos minutos recebeu uma taça de prosecco, cortesia de dois senhores que haviam acabado de chegar e o convidaram para brindarem juntos. Deliciosamente surreal...

Não bastasse o ambiente, as pessoas e o serviço impecável, sem os quais a melhor comida torna-se intragável, almoçamos deliciosamente bem! Um couvert bem gostosinho, com manteiga, azeitonas, creme de queijo e antepasto de berinjela, acompanhado de uma cesta de pães - que felizmente só foi retirada quando pedimos a sobremesa -, salada de melão e presunto cru e o prato do dia, risotto de frutos do mar. Por fim, sorvete de creme com crocante e um café. Duas taças de um honesto vinho piemontês e uma conta de R$66,00 para cada um. 

Quem souber de um restaurante em que se é muito bem tratado, se come bem, sem frescuras, sem medo de pedir para dividir o prato - o que deve ser feito, inclusive, pois as porções são generosas!-; se pode beber uma taça de vinho e se pode limpar o prato com o miolo do pão, quando já se sente satisfeito, mas não a ponto de recusar uma sobremesa, e tudo isso sem ter de deixar a alma como parte de pagamento pelo pecado de querer comer fora de casa, me avise, porque isso, caro leitor,  não é inexistente, mas é algo raro, muito raro.

***

Pai, mais uma vez, obrigada pelo almoço, pela companhia, pela conversa, por estar permitindo que eu veja o seu lado bom, que é tão incrível; por querer compartilhar esses pequenos momentos comigo, e por ser meu grande companheiro pelo centro da cidade!

PS: eu sei que não adianta agendar, mas quando voltaremos lá? Eu vi o seu olho comprido para cima do ossobuco servido à mesa vizinha, assim como seus ouvidos bem atentos ao pedido da mesa ao lado; polenta...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bolo de abóbora e castanhas com cobertura de café e cardamomo, e a história de uma abóbora itinerante


... com ou sem cobertura, de iogurte e lavanda ou de café e cardamomo, o resultado será sempre o de um bolo fofo, complexo, repleto de castanhas e absolutamente irresistível!

 

As abóboras, principalmente a seca, têm recebido elogios, admiração e até sido alvo de piadas; também pudera, com seu tamanho singelo e silhueta fálica, já virou até modelo no colo de alguns amigos que vieram jantar em casa... Confesso que fiquei com um pouquinho preocupada, mas eles foram respeitosos, garanto!

De fato, ora por sua beleza, ora pela ausência de um lugar próprio em que pudesse ficar durante algumas semanas, além de ser tomada como acessório por amigos que ainda não cresceram, ela fez as vezes de enfeite de mesa e, na falta de um peso para fechar o isopor, atuou como coadjuvante no preparo do iogurte. O problema é que os iogurtes ficaram muito bons, e o Ebraim ligou isso à ilustre presença da abóbora; brincava, a cada semana, dizendo que quando ela acabasse o iogurte não seria mais o mesmo. Como demorou algumas semanas para amadurecer, e mesmo depois foi sendo usada aos poucos, sua itinerância nos alegrava e, ao que tudo indica, também aos iogurtes...

Acreditem ou não, mas por mais incrível que pareça, na primeira semana em que a abóbora não se fez presente o iogurte sentiu a sua falta; triste, ficou ralo e insoso... Essa foi a deixa perfeita para o Ebraim se gabar de que já havia me avisado dessa possibilidade; não que ele acredite na santidade da abóbora, mas por intuir que ela fazia o peso ideal para que o isopor ficasse hermético. Minha primeira vontade foi fitá-lo com cara de "não venha me ensinar a fazer iogurte", mas depois de tanta decoração, alegrias e risadas, também eu queria acreditar na sua influência positiva... Um pequeno detalhe que ficou em segredo; naquela semana o leite orgânico não chegou e tive de preparar os iogurtes com leite comum, homogeneizado, mas é claro que a companheira também fez falta! 


Já preparei esse bolo inúmeras vezes, ele é fácil e extremamente saboroso; não precisa de cobertura porque fica incrivelmente brilhante, mas o Oliver indica uma de iogurte e lavanda e eu fiz uma versão com café, cardamomo e açúcar mascavo, que exibe um brilho dourado surpreendente, e deu o que falar. No dia do preparo o sabor do café fica muito presente, tornando-se sutil e delicado com o passar do tempo. Preserva-se muito bem por vários dias, dentro de um recipiente fechado, e poder ser congelado. Enfim, com ou sem cobertura, de iogurte e lavanda ou de café e cardamomo, o resultado será sempre o de um bolo fofo, complexo, repleto de castanhas e absolutamente irresistível!

 
 


BOLO DE ABÓBORA E CASTANHAS COM COBERTURA DE CAFÉ E CARDAMOMO

adaptado do livro Jamie em casa - Cozinhe para ter uma vida melhor, de Jamie Oliver
rendimento 12 muffins*


bolo

- 400g de abóbora menina madura, com a casca, sem as sementes e picada grosseiramente - usei abóbora seca orgânica;
- 350g de açúcar mascavo macio - usei o orgânico extra seco;
- 4 ovos grandes orgânicos;
- uma pitada de sal marinho;
- 300g de farinha de trigo orgânica;
- 2 colheres (chá) "cheias" de fermento;
- um belo punhado de nozes - fica ainda mais saboroso com um mix de castanhas variadas!;
- 1 colher (chá) de canela em pó;
- 175ml de azeite extra virgem - se o seu azeite tiver um sabor muito forte, como o italiano, pode substituir por um óleo mais neutro, ou usar outro de sua preferência;

cobertura gelada [do Oliver]

- raspas da casca de 1 laranja ou tangerina orgânicas;
- raspas da casca de 1 limão siciliano orgânico;
- suco de meio limão siciliano;
- 140ml de creme azedo**;
- 2 colheres (sopa) "cheias" de açúcar de confeiteiro peneirado;
- sementinhas de 1 fava de baunilha orgânica - corte a fava ao meio, longitudinalmente, e raspe as sementes e
- flores de lavanda ou pétalas de rosa - opcional.

cobertura de café e cardamomo [minha]

- 70g de açúcar mascavo orgânico peneirado;
- café - tirei um expresso bem forte; e
- um toque de cardamomo.


1. Preaqueça o forno a 180ºC; forre 12 formas de muffins com papel, ou unte outra forma que desejar.
2. Processe a abóbora em um processador ou liquidificador potente, até que fique macia; adicione os ovos e o açúcar e processe novamente. Adicione uma pitada de sal, a farinha o fermento, as nozes, a canela e o azeite (ou óleo), e processe tudo até que a massa fique homogênea - já fiz das duas formas, mas prefiro adicionar o mix de castanhas, previamente quebradas em um pilão grande, ao final do processo. Pode ser que seja necessário parar o processador para raspar as laterais, mas note que não há necessidade de bater a massa além da conta, assim que ficar misturado, está Ok.
3. Coloque a massa nas forminhas e asse-as de 20 a 25 minutos, ou até que a superfície esteja dourada e brilhante e um palito, ao ser inserido no meio do bolinho, saia limpo. Deixe-os esfriarem sobre uma grelha.
4. Para preparar a cobertura de café, basta colocar o açúcar mascavo peneirado em uma tigela e adicioná-lo aos poucos, até que consiga uma consistência boa para ser espalhada, lembrando-se que a cobertura sempre fica mais firme quando seca. 
5. Passe a cobertura sobre os bolinhos, que já não devem estar tão quentes, e finalize com um toque de cardamomo em pó.
6. Se for fazer a cobertura gelada, prepare-a assim que os bolinhos saírem do forno. Para tanto, basta misturar as raspas - guarde um pouco para a decoração - com o suco, adicionar o creme azedo, o açúcar de confeiteiro, as sementes de baunilha. Prove, e se necessário, ajuste a quantidade de açúcar ou suco de limão a fim de equilibrar o doce e o ácido. Leve-a à geladeira.
7. Quando a cobertura estiver gelada, coloque-a sobre os muffins e decore-os com as raspas restantes; o Oliver dá a dica para decorá-los também com algumas pétalas de lavanda e servi-los sobre uma bonita tábua de madeira; isso é um pouco difícil para quem não tem uma pequena horta, mas sempre faz a diferença... 



* 23 bolinhos (foto), um pouco menores do que muffins tradicionais, feitos em forminhas com capacidade para 1/4 de xícara; OU 70 bolinhos pequenos, em forminhas com capacidade para 2 colheres de sopa.

** O creme azedo pode ser encontrado pronto em alguns empórios, mas para reproduzi-lo em casa basta misturar  colher (sopa) de suco de limão à 1 xícara de creme de leite fresco e deixar a mistura descansar em temperatura ambiente, por 30 minutos. Após, ele ser mantido na geladeira até a hora de usar. A Ana esclarece esta e muitas outras dúvidas aqui!

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